Quando 30 anos atrás começaram a aparecer relatos sobre jovens homossexuais sofrendo de formas raras de pneumonia e câncer, os investigadores de saúde pública sofreram para entender o que parecia um distúrbio imunológico mortal: quais eram os sintomas? Quem era mais suscetível? Que tipos de infecções caracterizavam a doença?
Eles estavam atrás da ferramenta mais essencial de um epidemiologista – uma definição de caso correta, um conjunto de critérios que, ao mesmo tempo, incluísse os doentes e excluísse quem não tinha a doença.
No caso da aids, os investigadores logo concluíram que usuários de drogas injetáveis, hemofílicos e outros grupos demográficos também corriam risco, e a definição evoluiu com o passar do tempo, incorporando provas laboratoriais de disfunção imunológica e outras melhorias baseadas nos avanços científicos.
“Se você reconhece que algo está acontecendo, é preciso uma definição de caso para relatá-lo”, afirma Andrew Moss, professor emérito de epidemiologia da Universidade da Califórnia, campus de São Francisco, e um dos primeiros investigadores da aids.
Porém, quando uma enfermidade não tem causa conhecida e seus sintomas são subjetivos, como se dá com a síndrome da fadiga crônica, fibromialgia e outras doenças cujas características e a própria existência foram contestadas, definições de caso conflitantes são praticamente inevitáveis.
Agora, um novo estudo sobre a síndrome da fadiga crônica ressaltou como definições de caso conflitantes podem levar a um “fogo cruzado” epidemiológico – em que o que é visto depende de quem está fazendo a observação – que provocou um debate ardente entre pesquisadores e defensores dos pacientes dos dois lados do Atlântico.
O estudo, publicado mês passado na revista médica “Lancet”, relatava que exercícios e terapia cognitivo-comportamental poderiam ajudar as pessoas com a doença. Defensores e alguns dos principais especialistas rejeitaram as descobertas e afirmaram que o grande problema estava na definição de caso usada pelos autores.
Os cientistas britânicos que conduziram a pesquisa identificaram os participantes no estudo baseados principalmente em um único sintoma: incapacitação e fadiga inexplicável durante pelo menos seis meses. Muitos pesquisadores, porém, particularmente nos Estados Unidos, sustentam que a definição abrange muitos pacientes cuja enfermidade real é depressão, não a síndrome – e a primeira pode muitas vezes ser atenuada com psicoterapia e exercícios.
Os autores da “Lancet” escreveram “sua definição de caso para incluir pessoas com quadros graves de depressão e pacientes que, claramente, sofreram um abalo no sistema imunológico e estão deprimidos porque não podem mais fazer coisas rotineiras”, afirma Andreas Kogelnik, especialista em doenças infecciosas de Mountain View, Califórnia, que atende muitas pessoas portadoras da síndrome da fadiga crônica.
Ao estudar a condição, ele e outros pesquisadores excluíram pacientes cujo único sintoma é fadiga, mesmo que incapacitante, para usar uma definição de caso que inclui outros sintomas cognitivos, neurológicos e fisiológicos. Para eles, tais sintomas indicam uma desordem complexa do sistema imunológico, possivelmente causada por um vírus ou outro agente.
Desde 2009, estudos produziram resultados contraditórios sobre se os vírus relacionados à leucemia em ratos estariam associados à síndrome da fadiga crônica, também conhecida como encefalomielite miálgica. Um estudo recente descobriu que pessoas com a doença têm proteínas diferentes no líquido cefalorraquidiano, criando esperanças de que um teste de diagnóstico possa ser desenvolvido um dia. Nenhuma definição de caso é perfeita; toda doença tem discrepâncias. Entretanto, uma definição ampla ou restrita pode afetar profundamente estatísticas vitais para o planejamento da saúde pública.
Se os pesquisadores filtram suas percepções por diferentes óticas – isto é, definições de caso que produzem estudos populacionais variando em tamanho e características –, é difícil saber se eles estão estudando o mesmo fenômeno, sobrepondo alguns ou pesquisando enfermidades sem qualquer relação.
Determinar se as descobertas de um estudo podem ser extrapoladas para outros pacientes é, no mínimo, complicado.
“É preciso definir características e todos precisam usar os mesmos critérios porque, de outra forma, você chamará algo de maçã e outra pessoa examinará um pêssego e dirá que se trata de uma maçã”, assegura Anita Belman, neurologista da Universidade Stony Brook, Nova York, que pesquisa sobre esclerose múltipla pediátrica.
Ninguém discute que muitas pessoas que sofrem da síndrome da fadiga crônica também têm depressão. A questão é saber qual veio primeiro. Os pacientes ficam deprimidos porque uma doença terrível acabou com suas vidas ou a doença em si é a expressão somática de uma depressão subjacente?
Para pesquisadores que acreditam que a síndrome da fadiga crônica é uma mera condição psicológica, essa distinção pode não parecer importante. Contudo, há implicações profundas para quem está convencido de que se trata de uma doença viral e afirma que a terapia com exercícios aconselhada pelo estudo da “Lancet” pode causar recaídas intensas em pessoas com o problema – afirmação apoiada por pesquisas com pacientes.
A definição de caso com um único sintoma usado pelos autores da “Lancet”, conhecida como critérios de Oxford, foi desenvolvida na Grã-Bretanha em 1991. Da mesma forma que a equipe que conduziu o estudo atual, o grupo de 1991 também incluía destacados profissionais de saúde mental.
Porém, muitos cientistas e clínicos consideram a definição de caso com sintomas múltiplos publicada em 1994 pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, como o padrão internacional.
Além de seis meses de fadiga incapacitante inexplicada, a definição dos CDC requer ao menos quatro de oito sintomas comuns: problemas cognitivos, distúrbios do sono, dor muscular, dor nas articulações, dores de cabeça, linfonodos, dor de garganta e mal-estar após esforço físico, mesmo que o nível de atividade tenha sido mínimo.
Em 2005, os CDC anunciaram uma definição de caso “empírica” recomendando questionários de avaliação específicos e pontuações para medir fadiga, disfunção física e outros sintomas. Os críticos questionaram as novas diretrizes da mesma forma que os critérios de Oxford, argumentando que os questionários e sistemas de pontuação eram muito ambíguos.
Por sua vez, a definição de caso canadense, de 2003, é considerada a mais restritiva e é preferida por muitos pacientes. Ela coloca o mal-estar após esforço numa posição central na doença e exige vários sintomas neurológicos, cognitivos, endócrinos ou imunológicos.
Terapia é mais eficaz do que remédio contra depressão
Em 2009, pesquisadores da Universidade DePaul, Chicago, relataram que 38% dos pacientes de uma amostra de estudo que sofriam apenas de depressão, avaliados segundo as ferramentas dos CDC, receberam o diagnóstico errado de síndrome da fadiga crônica; o mesmo não aconteceu quando foi empregada a mais restrita definição canadense.
O estudo sugere que a “definição de caso empírica” feita pelos CDC “ampliou os critérios de tal forma que indivíduos com doenças puramente psiquiátricas receberão um diagnóstico inapropriado” de síndrome da fadiga crônica, escreveram Leonard Jason, professor de psicologia comunitária na DePaul, e seus colegas.
Os autores também perceberam que usando as novas ferramentas de avaliação, os CDC haviam aumentado enormemente sua estimativa de ocorrência da doença, para 2,5% da população. Então a questão permanece: terapia e exercícios ajudam os pacientes com a síndrome da fadiga crônica, como relatado pelo estudo da “Lancet”?
Sim, aparentemente – se a doença for identificada com uma definição de caso baseada unicamente na fadiga. Mas será que a evidência daquele estudo prova que essas estratégias ajudariam pacientes diagnosticados com síndrome da fadiga crônica usando critérios diferentes? Essa é uma afirmação muito mais difícil de se fazer.
* Por David Tuller
http://www.correiodoestado.com.br/noticias/sindrome-da-fadiga-cronica-problema-comeca-pela-definicao_103628/
sexta-feira, 25 de março de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
Além do bem e do mal
A coisa essencial "no céu e na terra" é...que haja uma longa obediência na mesma direção... - surpreendente frase de F. Nietzsche.
terça-feira, 22 de março de 2011
Aeróbios e Emagrecimento
"Para reduzir a gordura corporal são necessários exercícios aeróbios de baixa intensidade e longa duração".
Certamente você ouviu esta frase milhares de vezes, porém eu posso lhe garantir que esta é uma das maiores mentiras da nossa história, sendo propagada devido à desinformação, falta de interesse, interpretação equivocada e ausência de senso crítico de alguns profissionais.
A balela de qualidade de vida é outro argumento infundado até mesmo do ponto de visto psicológico, que é onde muitos pseudocientistas tem se refugiado. É incompreensível como uma atividade ineficiente que consuma grande parte de seu tempo disponível possa melhorar a vida de alguém. Não seria preferível elaborar um treinamento eficiente com uma baixa necessidade de tempo e proporcionar mais tempo para se usar com a família, lendo um livro, vendo um filme ou simplesmente descansando?
Com certeza os exercícios aeróbios tem seu espaço, mas este espaço não é tão grande quanto muitos pretendem. Em 1994 TREMBLAY conduziu uma pesquisa no Canadá que ajudou a acabar com o mito de que exercícios aeróbios de baixa intensidade sejam os mais eficientes para perda de gordura. A amostra era composta por indivíduos destreinados divididos em dois grupos.
Um deles se exercitou por 20 semanas, iniciando os treinos a 65% da freqüência cardíaca máxima (FCM) e progredindo para 85%, cada treino durava entre 30 a 45 minutos e era realizado de 3 a 4 vezes por semana. O segundo grupo se exercitou por 15 semanas, executando aquecimento e em seguida 10 a 15 tiros de 15 até 30 segundos ou 4 a 5 tiros de 60 até 90 segundos.
Os intervalos ocorriam até que a freqüência cardíaca chegasse a 120-130 bpm. De acordo com os resultados, o grupo 1 (menos intenso) gastou mais que o dobro de calorias que o grupo 2 (120,4 MJ em comparação com 57,9MJ), porém os indivíduos do segundo grupo obtiveram uma redução no percentual de gordura bem maior que o primeiro. Segundo TREMBLAY, "quando calculamos a quantidade de gordura perdida por caloria, o grupo 2 obteve um resultado nove vezes melhor".
A conclusão dos autores: "para um dado nível de dispêndio energético, exercícios vigorosos favorecem balanço calórico e balanço de lipídios negativos em proporções maiores que exercícios de intensidade moderada a média. Além disso as adaptações da musculatura esquelética ocorridas como resposta ao treinamento intervalado intenso parecem favorecer o processo metabólico do lipídios."
Respire fundo e leia com atenção esta frase: "se o objetivo é perder gordura e o tempo for limitado, as pessoas devem se exercitar com segurança nas intensidades mais altas possíveis..." esta foi a conclusão de GREDIAGIN et al (1995) quando submeteram dois grupos a diferentes intensidades de exercício (50% e 80% do VO2 máx, respectivamente), sendo que as atividades eram realizadas até que se chegasse ao total de 300 Kcal.
Ao final do estudo ambos os grupos perderam a mesma quantidade de gordura, porém o grupo que se exercitou intensamente ganhou mais que o dobro de massa magra em relação ao outro. Intensidades mais elevadas parecem influir também no aspecto nutricional, conforme verificado em um estudo de BRYNER et al (1997), onde os exercícios em freqüências cardíacas mais altas resultaram em maior redução da gordura, assim como diminuição da ingestão de gorduras saturadas e colesterol, o que não aconteceu em freqüências cardíacas baixas.
As atividades intensas levam vantagem até mesmo quando compara-se exercícios de mesmo dispêndio calórico total. Nesses casos é verificado que os de maior intensidade proporcionam gasto calórico mais elevado e maior degradação de carboidratos e gorduras após o treino, o que leva a crer que o período pós exercício deve ser levado em conta quando analisamos a eficiência das atividades.(CHAD et al, 1991; SMITH et al, 1993; PACHECO SÁNCHEZ, 1994; PHELAIN et al, 1997, KLAUSEN et al, 1999, LEE et al, 1999 ).
Porém quando relato vantagens relativas aos resultados obtidos com treinos intensos, não devemos nos prender a abordagem mecanicista. Se fossemos usar a matemática linear jamais conseguiríamos entender ou mesmo acreditar nesse fenômeno. Lembre-se que nosso sistema tem características não lineares, podendo responder de forma caótica aos diversos estímulos.
Desta forma, por mais contraditório que pareça, o uso de treinos intensos (que praticamente não usam gorduras) altera os processos metabólicos (não temos certeza de quais estruturas) de modo a favorecer reações a queima de gordura e inibir seu acúmulo.
Considerações finais
As atividades aeróbias certamente tem seu valor, mas não realizam nem a décima parte do que lhe é atribuído. Caminhadas podem ser de grande valia, porém esses casos são exceções. Isto não significa que atividades pouco intensas sejam totalmente ineficientes, a questão é que elas não são "as" mais eficientes.
Especificamente para a redução da gordura corporal as atividades aeróbias de baixa intensidade são, digamos assim, uma prática inadequada. De onde surgiu esta teoria? Pode-se dizer que inicialmente foi da falta de conhecimento e até mesmo o paradigma mecanicista, propagando à medida que os profissionais abstinham-se em questionar o paradigma dominante. Deve-se perder o péssimo hábito de decorar literalmente textos de livros ao invés de analisar criticamente o que está escrito.
Os livros de fisiologia dizem que durante atividades de baixa intensidade a quantidade relativa de gordura utilizada é maior. A palavra destacada diz tudo, é relativa ao total de calorias usadas. Outra causa desta linha de raciocínio é a irritante simplicidade do tipo "se você usou mais gordura durante a atividade então esta atividade perde mais gordura".
Esta linha também culmina em teorias como: "se você comer gordura, vai ganhar gordura, se comer proteína vai ganhar proteína" e assim vai... Mas muitos se esquecem, ou simplesmente não sabem, o que acontece com o nosso corpo em resposta aos exercícios.
A partir de uma abordagem mais integrativa e complexa, pode-se dizer então que as atividades físicas de maiores intensidades, especialmente os treinos intervalados são extremamente eficazes e recomendáveis para o processo de redução da gordura corporal.
(Nas academias há grande possibilidade de encontrarmos aulas com estas características, tudo depende da qualidade técnica do professor ao seguir os preceitos fisiológicos na elaboração da sua aula, lembre-se que a mesma modalidade pode almejar objetivos diferentes e até mesmo opostos. Algumas modalidades que podem ser úteis são: aulas de spinning, step e lutas, além de treinos intervalados na ergometria).
Referências bibliográficas
BRYNER RW; TOFFLE RC; ULLRICH IH; YEATER RA The effects of exercise intensity on body composition, weight loss, and dietary composition in women. J Am Coll Nutr, 1997 Feb, 16:1, 68-73
CHAD KE; QUIGLEY BM Exercise intensity: effect on postexercise O2 uptake in trained and untrained women J Appl Physiol 1991 Aug;71(2) J Appl Physiol, 1991 Apr, 70:4, 1713-9
FRIEDLANDER AL; CASAZZA GA; HORNING MA; USAJ A; BROOKS GA Endurance training increases fatty acid turnover, but not fat oxidation, in young men. J Appl Physiol, 1999 Jun, 86:6, 2097-105
GREDIAGIN A; CODY M; RUPP J; BENARDOT D; SHERN R Exercise intensity does not effect body composition change in untrained, moderately overfat women. J Am Diet Assoc, 1995 Jun, 95:6, 661-5
KLAUSEN B; TOUBRO S; RANNERIES C; REHFELD JF; HOLST JJ; CHRISTENSEN NJ; ASTRUP A Increased intensity of a single exercise bout stimulates subsequent fat intake. Int J Obes Relat Metab Disord, 1999 Dec, 23:12, 1282-7
LEE YS; HA MS; LEE YJ The effects of various intensities and durations of exercise with and without glucose in milk ingestion on postexercise oxygen consumption. J Sports Med Phys Fitness, 1999 Dec, 39:4, 341-7
PACHECO SÁNCHEZ M; GRUNEWALD KK Body fat deposition: effects of dietary fat and two exercise protocols. J Am Coll Nutr, 1994 Dec, 13:6, 601-7
PHELAIN JF; REINKE E; HARRIS MA; MELBY CL Postexercise energy expenditure and substrate oxidation in young women resulting from exercise bouts of different J Am Coll Nutr, 1997 Apr, 16:2, 140-6
PHILLIPS S.M., "Effect of Training Duration on Substrate Turnover and Oxidation During Exercise," J. Appl. Physiol. 81.5 (1996) : 2182-2191
RASMUSSEN, B. B. et al., "Effect of Exercise Intensity on Skeletal Muscle Malonyl-CoA and Acetyl-CoA Carboxylase," J. Appl. Physiol. 83.4 (1997) : 1104-1109.
RASMUSSEN, B. B.,ADRIAN HUTBER C.; WINDER, W. W. Endurance training attenuates the decrease in skeletal muscle malonyl-CoA with exercise.J. Appl. Physiol. 1997 83: 1917-1922
SMITH, J.; MCNAUGHTON, L. "The Effects of Intensity of Exercise and Excess Post-Exercise Oxygen Consumption and Energy Expenditure in Moderately Trained Men and Women," Eur. J. Appl. Physiol. 67 (1993) : 420-425.
TREMBLAY A; SIMONEAU JA; BOUCHARD C Impact of exercise intensity on body fatness and skeletal muscle metabolism. Metabolism, 1994 Jul, 43:7, 814-8
VAVVAS, D., et al., "Contraction-Induced Changes in Acetyl-CoA Carboxylase and 5'-AMP-Activated Kinase in Skeletal Muscle," J. Biol. Chem. 272.20 (1997) :
Prof. Paulo Gentil
Presidente do GEASE
Fonte:
GEASE - Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercício
www.educacaofisica.org
Certamente você ouviu esta frase milhares de vezes, porém eu posso lhe garantir que esta é uma das maiores mentiras da nossa história, sendo propagada devido à desinformação, falta de interesse, interpretação equivocada e ausência de senso crítico de alguns profissionais.
A balela de qualidade de vida é outro argumento infundado até mesmo do ponto de visto psicológico, que é onde muitos pseudocientistas tem se refugiado. É incompreensível como uma atividade ineficiente que consuma grande parte de seu tempo disponível possa melhorar a vida de alguém. Não seria preferível elaborar um treinamento eficiente com uma baixa necessidade de tempo e proporcionar mais tempo para se usar com a família, lendo um livro, vendo um filme ou simplesmente descansando?
Com certeza os exercícios aeróbios tem seu espaço, mas este espaço não é tão grande quanto muitos pretendem. Em 1994 TREMBLAY conduziu uma pesquisa no Canadá que ajudou a acabar com o mito de que exercícios aeróbios de baixa intensidade sejam os mais eficientes para perda de gordura. A amostra era composta por indivíduos destreinados divididos em dois grupos.
Um deles se exercitou por 20 semanas, iniciando os treinos a 65% da freqüência cardíaca máxima (FCM) e progredindo para 85%, cada treino durava entre 30 a 45 minutos e era realizado de 3 a 4 vezes por semana. O segundo grupo se exercitou por 15 semanas, executando aquecimento e em seguida 10 a 15 tiros de 15 até 30 segundos ou 4 a 5 tiros de 60 até 90 segundos.
Os intervalos ocorriam até que a freqüência cardíaca chegasse a 120-130 bpm. De acordo com os resultados, o grupo 1 (menos intenso) gastou mais que o dobro de calorias que o grupo 2 (120,4 MJ em comparação com 57,9MJ), porém os indivíduos do segundo grupo obtiveram uma redução no percentual de gordura bem maior que o primeiro. Segundo TREMBLAY, "quando calculamos a quantidade de gordura perdida por caloria, o grupo 2 obteve um resultado nove vezes melhor".
A conclusão dos autores: "para um dado nível de dispêndio energético, exercícios vigorosos favorecem balanço calórico e balanço de lipídios negativos em proporções maiores que exercícios de intensidade moderada a média. Além disso as adaptações da musculatura esquelética ocorridas como resposta ao treinamento intervalado intenso parecem favorecer o processo metabólico do lipídios."
Respire fundo e leia com atenção esta frase: "se o objetivo é perder gordura e o tempo for limitado, as pessoas devem se exercitar com segurança nas intensidades mais altas possíveis..." esta foi a conclusão de GREDIAGIN et al (1995) quando submeteram dois grupos a diferentes intensidades de exercício (50% e 80% do VO2 máx, respectivamente), sendo que as atividades eram realizadas até que se chegasse ao total de 300 Kcal.
Ao final do estudo ambos os grupos perderam a mesma quantidade de gordura, porém o grupo que se exercitou intensamente ganhou mais que o dobro de massa magra em relação ao outro. Intensidades mais elevadas parecem influir também no aspecto nutricional, conforme verificado em um estudo de BRYNER et al (1997), onde os exercícios em freqüências cardíacas mais altas resultaram em maior redução da gordura, assim como diminuição da ingestão de gorduras saturadas e colesterol, o que não aconteceu em freqüências cardíacas baixas.
As atividades intensas levam vantagem até mesmo quando compara-se exercícios de mesmo dispêndio calórico total. Nesses casos é verificado que os de maior intensidade proporcionam gasto calórico mais elevado e maior degradação de carboidratos e gorduras após o treino, o que leva a crer que o período pós exercício deve ser levado em conta quando analisamos a eficiência das atividades.(CHAD et al, 1991; SMITH et al, 1993; PACHECO SÁNCHEZ, 1994; PHELAIN et al, 1997, KLAUSEN et al, 1999, LEE et al, 1999 ).
Porém quando relato vantagens relativas aos resultados obtidos com treinos intensos, não devemos nos prender a abordagem mecanicista. Se fossemos usar a matemática linear jamais conseguiríamos entender ou mesmo acreditar nesse fenômeno. Lembre-se que nosso sistema tem características não lineares, podendo responder de forma caótica aos diversos estímulos.
Desta forma, por mais contraditório que pareça, o uso de treinos intensos (que praticamente não usam gorduras) altera os processos metabólicos (não temos certeza de quais estruturas) de modo a favorecer reações a queima de gordura e inibir seu acúmulo.
Considerações finais
As atividades aeróbias certamente tem seu valor, mas não realizam nem a décima parte do que lhe é atribuído. Caminhadas podem ser de grande valia, porém esses casos são exceções. Isto não significa que atividades pouco intensas sejam totalmente ineficientes, a questão é que elas não são "as" mais eficientes.
Especificamente para a redução da gordura corporal as atividades aeróbias de baixa intensidade são, digamos assim, uma prática inadequada. De onde surgiu esta teoria? Pode-se dizer que inicialmente foi da falta de conhecimento e até mesmo o paradigma mecanicista, propagando à medida que os profissionais abstinham-se em questionar o paradigma dominante. Deve-se perder o péssimo hábito de decorar literalmente textos de livros ao invés de analisar criticamente o que está escrito.
Os livros de fisiologia dizem que durante atividades de baixa intensidade a quantidade relativa de gordura utilizada é maior. A palavra destacada diz tudo, é relativa ao total de calorias usadas. Outra causa desta linha de raciocínio é a irritante simplicidade do tipo "se você usou mais gordura durante a atividade então esta atividade perde mais gordura".
Esta linha também culmina em teorias como: "se você comer gordura, vai ganhar gordura, se comer proteína vai ganhar proteína" e assim vai... Mas muitos se esquecem, ou simplesmente não sabem, o que acontece com o nosso corpo em resposta aos exercícios.
A partir de uma abordagem mais integrativa e complexa, pode-se dizer então que as atividades físicas de maiores intensidades, especialmente os treinos intervalados são extremamente eficazes e recomendáveis para o processo de redução da gordura corporal.
(Nas academias há grande possibilidade de encontrarmos aulas com estas características, tudo depende da qualidade técnica do professor ao seguir os preceitos fisiológicos na elaboração da sua aula, lembre-se que a mesma modalidade pode almejar objetivos diferentes e até mesmo opostos. Algumas modalidades que podem ser úteis são: aulas de spinning, step e lutas, além de treinos intervalados na ergometria).
Referências bibliográficas
BRYNER RW; TOFFLE RC; ULLRICH IH; YEATER RA The effects of exercise intensity on body composition, weight loss, and dietary composition in women. J Am Coll Nutr, 1997 Feb, 16:1, 68-73
CHAD KE; QUIGLEY BM Exercise intensity: effect on postexercise O2 uptake in trained and untrained women J Appl Physiol 1991 Aug;71(2) J Appl Physiol, 1991 Apr, 70:4, 1713-9
FRIEDLANDER AL; CASAZZA GA; HORNING MA; USAJ A; BROOKS GA Endurance training increases fatty acid turnover, but not fat oxidation, in young men. J Appl Physiol, 1999 Jun, 86:6, 2097-105
GREDIAGIN A; CODY M; RUPP J; BENARDOT D; SHERN R Exercise intensity does not effect body composition change in untrained, moderately overfat women. J Am Diet Assoc, 1995 Jun, 95:6, 661-5
KLAUSEN B; TOUBRO S; RANNERIES C; REHFELD JF; HOLST JJ; CHRISTENSEN NJ; ASTRUP A Increased intensity of a single exercise bout stimulates subsequent fat intake. Int J Obes Relat Metab Disord, 1999 Dec, 23:12, 1282-7
LEE YS; HA MS; LEE YJ The effects of various intensities and durations of exercise with and without glucose in milk ingestion on postexercise oxygen consumption. J Sports Med Phys Fitness, 1999 Dec, 39:4, 341-7
PACHECO SÁNCHEZ M; GRUNEWALD KK Body fat deposition: effects of dietary fat and two exercise protocols. J Am Coll Nutr, 1994 Dec, 13:6, 601-7
PHELAIN JF; REINKE E; HARRIS MA; MELBY CL Postexercise energy expenditure and substrate oxidation in young women resulting from exercise bouts of different J Am Coll Nutr, 1997 Apr, 16:2, 140-6
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RASMUSSEN, B. B. et al., "Effect of Exercise Intensity on Skeletal Muscle Malonyl-CoA and Acetyl-CoA Carboxylase," J. Appl. Physiol. 83.4 (1997) : 1104-1109.
RASMUSSEN, B. B.,ADRIAN HUTBER C.; WINDER, W. W. Endurance training attenuates the decrease in skeletal muscle malonyl-CoA with exercise.J. Appl. Physiol. 1997 83: 1917-1922
SMITH, J.; MCNAUGHTON, L. "The Effects of Intensity of Exercise and Excess Post-Exercise Oxygen Consumption and Energy Expenditure in Moderately Trained Men and Women," Eur. J. Appl. Physiol. 67 (1993) : 420-425.
TREMBLAY A; SIMONEAU JA; BOUCHARD C Impact of exercise intensity on body fatness and skeletal muscle metabolism. Metabolism, 1994 Jul, 43:7, 814-8
VAVVAS, D., et al., "Contraction-Induced Changes in Acetyl-CoA Carboxylase and 5'-AMP-Activated Kinase in Skeletal Muscle," J. Biol. Chem. 272.20 (1997) :
Prof. Paulo Gentil
Presidente do GEASE
Fonte:
GEASE - Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercício
www.educacaofisica.org
quinta-feira, 10 de março de 2011
Agora é a Internet que nos dá ''boa noite''
A saudação de boa noite chega agora da Internet. Seis em cada dez norte-americanos deslizam para o sono acompanhados por um computador. Eles o usam principalmente para trocar e-mails ou falar nos chats, confirmando o papel de grande antídoto contra a solidão que a rede esconde. Mas, em um em cada cinco casos, o computador presente no quarto é usado também para trabalhar (ou fazer as tarefas, no caso dos jovens).
A reportagem é de Elena Dusi, publicada no jornal La Repubblica, 08-03-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O estudo, recém-concluído pela National Sleep Foundation norte-americana, foi pensado para analisar os problemas de sono de uma população muito acostumada a colonizar o tempo noturno e a manter ritmos altos à base de cafeína. Mas acabou jogando luz também sobre hábitos de uma nação que custa para desligar os interruptores, a qualquer hora do dia e da noite.
O estudo sobre o impacto das novas tecnologias sobre a qualidade do sono revela que 95% dos norte-americanos usam pelo menos um aparelho eletrônico na última hora transcorrida antes de dormir. Se a televisão continua tendo a sua parte no quarto de dormir dos acima de 45 anos e caminha mais ou menos lado a lado com o computador na faixa dos 30 aos 45 anos, entre os menores de 30 anos a ultrapassagem da Internet com relação aos filmes noturnos quase se consumou. Nem a busca de contatos com os amigos da rede é um fenômeno apenas noturno. Há alguns anos, em agosto de 2009, o gigante das telecomunicações norte-americanas Verizon havia notado um boom de contatos (principalmente no Facebook) a partir das 7h da manhã. Conectar-se à rede é, portanto, a primeira e a última atividade das nossas jornadas.
O relatório da National Sleep Foundation explica que, na faixa de idade entre os 46 e os 64 anos, a televisão está ligada à noite – todos os dias – em 67% dos quartos. Mas menos de um em cada dois menores de 20 anos herdou esse hábito dos pais. Os jovens entre 13 e 18 anos navegam na rede todas as noites antes de dormir em 55% dos casos (os irmãos mais velhos entre 19 e 29 anos fazem isso em 47% dos casos, os de 30 a 45 anos em 26%, os baby-boomers entre 46 e 64 anos só em 17%). As redes sociais são o padrão: vão de 52% dos adolescentes entre 13 e 18 anos, até 9% dos baby-boomers.
Ao mesmo tempo, o celular continua mandando e recebendo mensagens (56% dos adolescentes usam o celular para os SMS na hora que precede o sono, contra 5% dos baby-boomers), e o iPod ou outros tipos de leitores de áudio acompanham a noite com a sua música (34% entre os adolescentes e 2% entre os baby-boomers). Inimigos jurados do sonos são os videogames, que, além de apaixonar a faixa de idade mais jovem (36% joga pelo menos três vezes por semana), abriram caminho também entre os baby-boomers (12%).
A ascensão dos eletrônicos entre as novas gerações coincide com o declínio dos livros e dos jornais. Os que dormem folheando páginas são 23% dos baby-boomers e 16% dos menores de 30 anos. O papel não foi ainda substituído pelos e-books: só 2% da amostra entrevistada fez referência de fazer um uso regular dos leitores eletrônicos.
As conclusões que a National Sleep Foundation tira da sua análise são preocupantes sobretudo para a qualidade do sono dos norte-americanos. Cerca de 60% dos entrevistados indicaram que acordam regularmente pouco descansados, e 6% dos adolescentes dormem até menos de seis horas.
"A exposição à luz artificial depois do pôr-do-sol – explica Charles Czeisler, da Harvard Medical School, um dos coordenadores da pesquisa – suprime a produção de melatonina (um hormônio que promove o sono, mantém alto o nível de alerta e desloca para horas mais tarde todos os ritmos circadianos do organismo [ritmos biológicos que se completam em 24h], tornando sempre mais difícil o abandono a um bom sono repousante".
Fonte: IHU
A reportagem é de Elena Dusi, publicada no jornal La Repubblica, 08-03-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O estudo, recém-concluído pela National Sleep Foundation norte-americana, foi pensado para analisar os problemas de sono de uma população muito acostumada a colonizar o tempo noturno e a manter ritmos altos à base de cafeína. Mas acabou jogando luz também sobre hábitos de uma nação que custa para desligar os interruptores, a qualquer hora do dia e da noite.
O estudo sobre o impacto das novas tecnologias sobre a qualidade do sono revela que 95% dos norte-americanos usam pelo menos um aparelho eletrônico na última hora transcorrida antes de dormir. Se a televisão continua tendo a sua parte no quarto de dormir dos acima de 45 anos e caminha mais ou menos lado a lado com o computador na faixa dos 30 aos 45 anos, entre os menores de 30 anos a ultrapassagem da Internet com relação aos filmes noturnos quase se consumou. Nem a busca de contatos com os amigos da rede é um fenômeno apenas noturno. Há alguns anos, em agosto de 2009, o gigante das telecomunicações norte-americanas Verizon havia notado um boom de contatos (principalmente no Facebook) a partir das 7h da manhã. Conectar-se à rede é, portanto, a primeira e a última atividade das nossas jornadas.
O relatório da National Sleep Foundation explica que, na faixa de idade entre os 46 e os 64 anos, a televisão está ligada à noite – todos os dias – em 67% dos quartos. Mas menos de um em cada dois menores de 20 anos herdou esse hábito dos pais. Os jovens entre 13 e 18 anos navegam na rede todas as noites antes de dormir em 55% dos casos (os irmãos mais velhos entre 19 e 29 anos fazem isso em 47% dos casos, os de 30 a 45 anos em 26%, os baby-boomers entre 46 e 64 anos só em 17%). As redes sociais são o padrão: vão de 52% dos adolescentes entre 13 e 18 anos, até 9% dos baby-boomers.
Ao mesmo tempo, o celular continua mandando e recebendo mensagens (56% dos adolescentes usam o celular para os SMS na hora que precede o sono, contra 5% dos baby-boomers), e o iPod ou outros tipos de leitores de áudio acompanham a noite com a sua música (34% entre os adolescentes e 2% entre os baby-boomers). Inimigos jurados do sonos são os videogames, que, além de apaixonar a faixa de idade mais jovem (36% joga pelo menos três vezes por semana), abriram caminho também entre os baby-boomers (12%).
A ascensão dos eletrônicos entre as novas gerações coincide com o declínio dos livros e dos jornais. Os que dormem folheando páginas são 23% dos baby-boomers e 16% dos menores de 30 anos. O papel não foi ainda substituído pelos e-books: só 2% da amostra entrevistada fez referência de fazer um uso regular dos leitores eletrônicos.
As conclusões que a National Sleep Foundation tira da sua análise são preocupantes sobretudo para a qualidade do sono dos norte-americanos. Cerca de 60% dos entrevistados indicaram que acordam regularmente pouco descansados, e 6% dos adolescentes dormem até menos de seis horas.
"A exposição à luz artificial depois do pôr-do-sol – explica Charles Czeisler, da Harvard Medical School, um dos coordenadores da pesquisa – suprime a produção de melatonina (um hormônio que promove o sono, mantém alto o nível de alerta e desloca para horas mais tarde todos os ritmos circadianos do organismo [ritmos biológicos que se completam em 24h], tornando sempre mais difícil o abandono a um bom sono repousante".
Fonte: IHU
quarta-feira, 9 de março de 2011
É Nele! Não tem como não se emocionar! do Stenio Marcius
"Silêncio na terra e no mar
Silêncio nos mundos distantes
Pois nada me arranca dos braços
D'Aquele que me amou primeiro"
veja http://letras.terra.com.br/stenio-marcius/1598083/
Silêncio nos mundos distantes
Pois nada me arranca dos braços
D'Aquele que me amou primeiro"
veja http://letras.terra.com.br/stenio-marcius/1598083/
domingo, 6 de março de 2011
E se ... Tire um tempo pra ouvir esta música belíssima!!
http://letras.terra.com.br/stenio-marcius/1551292/
quinta-feira, 3 de março de 2011
Cuidando da Terra!!
Nunca fui muito fã do Michael Jackson, mas este clip pouco conhecido (descartado nos EUA)tem uma música e tanto!
http://www.metacafe.com/watch/233723/earth_song_michael_jackson/
http://www.metacafe.com/watch/233723/earth_song_michael_jackson/
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