quarta-feira, 30 de junho de 2010

Pobreza sexual

Como psicóloga e terapeuta familiar, me impressiona o número cada vez maior de relatos de mulheres cristâs que se casam e não querem saber de sexo, para o desespero de maridos igualmente cristãos. Os bem intencionados que se guardaram para o casamento sente-se duplamente traídos. O sexo condicional - como base de trocas e barganhas, liquida qualquer possibilidade de intimidade existencial. Alguns enveredam para o sexo digital/virtual, o que dentona ainda mais a relação familiar. Reduzidos ao objetos sexuais, são escalados para o papel de procriadores, quando as companheiras resolvem ser mães, não sendo raros os casos onde a mulher para de tomar a pílula sem avisar o parceiro. Mais uma vez traídos, pois se tornam pais sem ter podido desejar e se alegrar, retiram-se emocionalmente da relação, e passam a desempenhar com mal disfaçado enfado seu título de marido. A paternidade que poderia resultar num resgate da masculinidade é manipulada ou usurpada num contexto de mistura dos papéis na espiral da vida familiar. Avôs e avós que solitários/as temem envelhecer, fornecem não mais o apoio e sabedoria, pois reduzem a infantilidade seus jovens filhos retirando-lhes a capacidade de errar, acertar e aprender. As igrejas ativistas, ufanistas e prósperas ajudam a disfarçar o mal cheiro com programações editadas que em nada favorecem um real confronto com a situação e uma possível busca de melhoria.
Não sou pessimista, acredito no poder de Deus e acredito que se pode sim, viver melhor em família. Trabalho muito neste sentido. Só não acredito em Papai Noel e soluções mágicas.
Viver a dois, ou em família requer boa dose de altruísmo, que não por acaso, é palavra bem pouco ouvida ou atitude pouco vivida nestes tempos tão ego-istas.

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