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terça-feira, 5 de outubro de 2010

A SABEDORIA DE NÃO FAZER NADA

Está certo que não devemos nos ver como sábios.
Mas também é certo que devemos viver como sábios.
Ser sábio é viver de um modo feliz diante de nossas características
individuais (algumas sem graça) e diante das situações (desgraçadas algumas)
da nossa vida.
O primeiro degau da sabedoria é, portanto, a humildade.
Só quem sabe que não é sábio busca ser sábio.
Sabedoria não coisa da mente, mas do coração.
O segundo degrau da sabedoria é a atenção, que nos leva a ouvir quem sabe
e a ler o que nos faz subir.
E aí precisamos nos perguntar qual foi a última vez que nos assentamos
ao lado de uma pessoa experiente e desgustamos suas histórias.
O terceiro degrau da sabedoria é -- por estranho que possa parecer -- o ócio.
Há sabedoria em não fazer nada ou só fazer depois de observar, ponderar, calar. Pressa rima com precipitação. Só quando paramos, sabemos quem é Deus.
Só olhando quem Deus é, sabemos quem nós somos. Não por outra razão, a Bíblia diz que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, que, traduzido é:
quem leva Deus a sério.

texto de Israel Belo de Azevedo

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Ruídos e vozes dentro da minha cabeça...

Já fazem alguns anos que tento priorizar tempos de silêncio, como forma de desintoxicar minha alma e terminações nervosas...
Como disse um monge, o tapete do silêncio é o que precisamos para dar os primeiros passos e entrar no santuário interior.
Bem, então, aqui estou eu, novamente num retiro. Desta vez, não de silêncio absoluto, porque a amiga que me acompanha está escrevendo e precisa conversar um pouco!
Decidir que eu pararia minhas atividades por 3 dias foi o primeiro passo. Percebi que estava muito cansada e dormindo poucas horas: ou seja, mistura perigosa.
Para cuidar de outros preciso estar bem.
Estes periodos de descanso são o que chamo "FÉRIAS DA MINHA ALMA". Tempos de restauração interior. O segundo passo foi riscar a agenda e avisar pacientes que nestes dias nao estaria.
Entrei em contato com uma casa de retiros, que frequento há anos: graças!! havia 2 quartos livres nestes dias!!(estes lugares tem sido muito procurados por empresas para reuniões, pois são agradáveis e bem mais baratos que hotéis...)
Contatei uma amiga, companheira de muitos retiros e contei meus planos.
Ela topou na hora: está em fase final do seu doutorado e precisa de um lugar tranquilo pra se concentrar e escrever.
A "depuração" começou organizando filhos e rotinas da casa para poder me ausentar.
Ok, isso não foi difícil, afinal, viajei e dei cursos e palestras como nunca, este ano. E meus filhos, o cão, o gato e plantas mativeram-se vivos e saudáveis.
Um sentimento de que sou quase desnecessária me acomete: isso deve ser cansaço!
Com a casa a venda e corretores e clientes telefonando, foi um exercício e tanto, me priorizar e dizer: eu vou!
Desta vez, trouxe o laptop e decidi registar meu processo, usando meu tempo de maneira disciplinada. Fazemos uma "devocional" pela manhã e outra a noite. Caminho bastante, aproveitando o sol, a beleza da natureza em rosas e ciprestes, o canto dos pássaros.
A capela das irmãs é de uma beleza simples e solene, e convida ao transcendente. É quase impossível no primeiro dia esvaziar a mente de toda a agitação, apreensão e tumultos bons e maus dos últimos meses. Dia difícil, porque é como frear o carro que vem ladeira a baixo em toda velocidade: assim foi meu ano.
Vou apaziguando minhas vozes interiores, os ruídos lentamente cedem.
A leitura bíblica de ontem me acompanhou o dia todo. Estou fazendo minhas leituras bíblicas de forma bem misturada. Acrescentei novos sabores, como o devocionário do Eugene Peterson. É dele esta livre tradução de Rom. 8:15-16. "Essa vida ressuscitada que voces receberam de Deus não é uma vida tímida, entalhadora de túmulo. Ela está esperando de forma aventureira, saudando a Deus com uma pergunta inocente, "E agora, Papai?"O Espírito de Deus toca nossos espíritos e confirma quem somos. sabemos quem ele é, e sabemos que quem somos: Pai e filhos/as."