A capela, já tarde da noite, iluminada por uma vela, propiciou a conversa –confissão.
Minha amiga e eu lemos a Palavra, confessamos, oramos, choramos, rimos enfim, foi um culto.
O texto de hoje, proposto por Peterson diz: “Os seu filhos em redor de sua mesa são saudáveis e promissores ramos de oliveira.” Salmo 128, 3b. Meus filhos são realmente saudáveis e promissores ramos de Oliveira, até no nome! As milenares oliveiras que vi em Israel me impressionam: seus brotos florescem de troncos cortados, queimados, decepados!
Seus ramos crescem decididos a buscar seu lugar ao sol e dar frutos! Este é um jeito novo de olhar meus filhos. Não mais como adolescentes enozados mas como jovens saudáveis e promissores.
Mas, porque será que quando resolvo dar uma parada o sono foge? Uma, duas horas da manhã e os pensamentos em turbilhão.
Como esta saturação de agitação impregna, gruda, penetra!
Pela manhà, adormeço. Coisa bem boa, dormir assim, com barulhinho de chuva....
O aquietar-se não ocorre mágicamente, mas vai se instalando mansamente, enquanto luto com minhas rotas de fuga. Trazendo o laptop, fica fácil distrair... E agora até aqui tem internet, Skype, MSN, Orkut, facebook... Uma olhada rápida, contato com o marido e ótimo, isso eu tenho todos os dias, então, vamos priorizar!
A chuva copiosa deste segundo dia convida a introspecção. Como este retiro não é de silêncio, trouxe alguns livros junto. Vários comentários de Salmos: três de biblistas católicos, um protestante, me falta a tradução dos Louvores, do judeu Chouraqui. Três ou quatro traduções da Bíblia, o roteiro das leituras bíblicas do Dr. Carlos J. Hernandez – Leamos La Bíblia - o Desafio de amar, e o devocionário do Peterson, caderno.
Está de bom tamanho.
É incrível, mas até bons livros podem ser uma rota de fuga da intimidade com Deus! E mais, até a Bíblia pode se tornar um fim em si mesma. Estar em comunhão e adoração é diferente de dissecar a Palavra e preparar um estudo bíblico ou sermão.
Não foi pra isso que eu vim. Trouxe a lenha a o Isaque, em lenta caminhada subo o Moriá. Vou anotando meus sentimentos, percepções.
Sinto que estou um tanto silente por dentro.
E faço minhas as palavras de Adélia Prado, em O Homem Humano.
Se não fosse a esperança de que me aguardas com a mesa posta
o que seria de mim eu não sei.
Sem teu nome a claridade do mundo não me hospeda,
é crua a luz crescente sobre ais.
Eu necessito por detrás do sol
do calor que não se põe e tem gerado meus sonhos,
na mais fechada noite, fulgurantes lâmpadas.
Porque acima e abaixo e ao redor do que existe permaneces,
eu repouso o rosto na areia
contemplando as formigas, envelhecendo em paz
como envelhece o que é de amoroso dono.
O mar é tão pequenino diante do que eu choraria
se não fosses meu Pai.
Ó Deus, ainda assim não é sem temor que te amo
nem sem medo.
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Adélia Prado é maravilhosa e marvilhoso ainda esse seu poema.
ResponderExcluirJá o conhecia, undo li pela primeira vez, fiquei chocada com a capacidade dela de captar os sentimentos alheios... rsrs
idem idem!!
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